sábado, 13 de março de 2010

Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias -
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono - dizem - extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer - dormir -
Dormir, Talvez sonhar. Aí esta o problema!
Os sonhos que virão no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto da vida
Nos obriga a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do governante, e o achincalhe
Que o homem paciente e dedicado recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem aguentaria fardos
gemendo e suando numa vida servil,
Senão por temer alguma coisa após a morte -
o país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante - nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
e assim a força natural de uma decisão
Se trasnforma em fétido pensamento.
E empreitadas de vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho.
Perdem o nome de ação.

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